Recalque e Evolução

Recalque e Evolução
Recalque e Evolução
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A mãe de João pediu que ele emprestasse R$ 1.000,00 a seu irmão Antônio para pagar o IPVA de seu carro, já que Antônio estava desempregado. João prontamente pega sua carteira e preenche o cheque de R$ 1.000,00. Antônio vai ao banco para sacar o dinheiro quando o caixa lhe diz que o cheque está sem a assinatura e não poderia lhe entregar o dinheiro. Aparentemente João “esqueceu” de assinar o cheque…

Não emprestar o dinheiro ao seu irmão significaria ir contra a vontade de sua mãe, o que seria contra a sua própria censura interna. Sendo assim, João recalca o seu desejo de não emprestar o dinheiro e “esquece” de assinar o cheque.

 

Recalque é um mecanismo de defesa do ego. Quando o id manda uma pulsão, ligada a algo que o ego deseja, porém teme, o ego produz uma força de contra investimento em relação ao id, e assim desloca este conteúdo, considerado ameaçador ao seu equilíbrio, para o campo inconsciente.

O recalque produz-se nos casos em que a satizfação de uma pulsão – suscetível de proporcionar prazer por si mesmo – ameaçaria provocar desprazer relativamente a outras exigências (censura interna e externa, superego), exigindo a sua eliminação imediata do campo consciente. Neste caso, dizemos que o ego não se encontra ainda preparado para enfrentar e elaborar estes desejos e tendências.

Para que o conteúdo recalcado mantenha-se no campo inconsciente, o ego precisará manter constante uma força contrária de contra investimento. Esta operação de contra investimento, roubará energia emocional da autoestima do indivíduo sempre que ele estiver na frente da ameaça pulsional que gerou, originalmente, a operação de recalque.

O recalque, para Freud, é pedra angular da Psicanálise. É um conceito que surge pela observação do fenômeno clínico da resistência. Estamos sempre falando em um jogo de forças no psiquismo, desejo que tenta aparecer mas não pode, conteúdos inconscientes, resistência que impede que algo seja percebido em análise, um jogo de forças que apontam para uma censura e para “alguém” que censura um “outro” que é censurado.

Para que haja recalque, é necessário pensar que atingir a finalidade da pulsão em questão traria desprazer ao invés de prazer.  Mas o aparelho psíquico funciona segundo uma lei, o princípio do prazer, e o movimento (o desejo) se dá no sentido do desprazer para o prazer. Se for assim, a questão retorna: como pensar em recalcar algo que traz desprazer?

Em seu texto “O recalque”, Freud aponta para outra possibilidade além daquela primeira, que dizia que o que seria prazeroso para uma instância não o seria para outra.  Ele dirá que a satisfação de uma pulsão é sempre agradável e que, se isso não acontece, é porque algo peculiar ocorreu que modificou tal satisfação de agradável em desagradável.  E o que é desprazeroso deve predominar sobre o prazeroso para que o recalque se faça necessário.

O recalque serve para afastar algo da consciência. Há um recalque originário que serve como força de atração e puxa os conteúdos para o inconsciente. Há também a força de repulsão, exercida pelo pré-consciente-consciência, que os afasta. Assim, uma dupla de forças – atração e repulsão, ou investimento e contra investimento – garante que aquilo que é recalcado encontre uma boa barreira para retornar.

No entanto, o recalque não impede que o representante psíquico continue a existir no inconsciente, se organize, origine derivados, estabeleça ligações. Ele só interfere na relação do representante psíquico com o consciente.

Se a representação é submetida ao recalque, o afeto pode circular livremente pelo psiquismo e se associar a novas representações, construindo uma rede de significados que vai daquilo que é inconsciente até o que se pode acessar pela consciência. Além dessa possibilidade de movimentar-se, o afeto pode ser suprimido – deixando de existir – ou transformar-se em ansiedade, quando não encontra nenhuma outra representação à qual se ligar.

O recalque serve para que o sujeito fuja do desprazer e, no entanto, estamos o tempo todo falando sobre a formação de sintomas, sonhos e emergência de conteúdos que guardem relação com aquilo que foi recalcado. Se tais conteúdos psíquicos aparecem, há que se supor que trazem consigo desprazer, o que implica em que o recalque não tenha sido totalmente bem sucedido em afastar essa possibilidade do desprazer daquele psiquismo. Curiosamente, è apenas desse recalque falho que temos notícias: algo escapa à censura, produz derivados, aparece de maneira disfarçada. A produção psíquica deve-se ao fato de o recalque não atingir completamente suas intenções.

 

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O recalque e a evolução do indivíduo

O recalque não pode ser considerado propriamente como um mecanismo evolutivo, mas sim como um mecanismo de contenção das tendências primitivas, através de um apaziguamento temporário das pressões exercidas pelo id sobre o ego.

Isto ocorrerá até que evolutivamente o indivíduo possa enfrentar estas pulsões racionalmente, elaborando-as sem afetar a sua conduta, quer dizer, é uma concessão de trégua, para que através do fortalecimento dos conteúdos morais ele possa não se deixar levar por aquilo que já considera impróprio para si.

Obrigatoriamente, para que se encontre a verdadeira harmonia psicológica, todos os conteúdos recalcados deverão ser trabalhados em novas vivências do indivíduo, frente a novas estimulações e a uma nova percepção de vida.

Não podemos fugir das próprias tendências manifestas através dos nossos desejos, sentimentos, etc. Evolutivamente não iremos a lugar nenhum recalcando, pois isto caracterizará um processo provisório de apaziguamento interno.

Recalcar significa manter intacta a tendência, o desejo, sem elaborar, sem vencer a si mesmo. “Se você der uma de “demo” e fizer o que não pode, sentirá culpa! Ao rejeitar e fugir, dando uma de “anjo”, recalcará e também ficará infeliz. Somente elaborando ou perlaborando, atendendo simultaneamente os desejos e as exigências de sua censura moral consciente e inconsciente, você poderá encontrar a felicidade.

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Karina Ferrari é Psicanalista, Terapeuta Holística e Coach, atuando em seus atendimentos com a Terapia Psicanalítica, o Reiki, a Terapia Floral de Bach, o Balanceamento Muscular (Cinesiologia) e Coaching. Instrutora e Pesquisadora dos Florais de Bach, com formação Internacional em Florais de Bach pelo Instituto Bach.Realiza atendimento em consultório particular e empresas, ministra cursos e palestras sobre Reiki e sobre os Florais de Bach, ministra palestras voltadas ao desenvolvimento pessoal e profissional e é facilitadora de grupos de estudos no Instituto Religere.Agende uma consulta agora mesmo entrando emcontato comigo, por telefone ou e-mail.

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